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A obra de um artista: músico, compositor, instrumentista, cantor (ou todas as alternativas anteriores) materializa-se em sua apresentação. Quer seja em um espetáculo ao vivo ou através de uma gravação, todo meio é válido e necessário para que a obra seja reconhecida e apreciada. Assim, o trabalho de profissionais como designers visuais, arquitetos cênicos e cenógrafos têm sua importância ampliada nesses novos tempos junto às mídias. Este texto evidencia a importância do trabalho destes profissionais que consolidam e promovem a imagem - ambiental, cênica e visual - da música e seus agentes. A próxima edição do Guia do Mercado Brasileiro da Música apresentará uma nova rubrica - Designers. Som, ruído e silêncio. Como você os vê? Quando ouvimos um som, algo visual forma-se em nossa mente, sensações aparecem como impressões que quando racionalizadas transformam-se em imagens. A música - organização de sons, palavras e sentimentos - estrutura-se através de nossos sentidos (espacial, sensorial e pictórico), pela imaginação e pela linguagem (convencional e significativa). Entre estas abordagens teóricas e técnicas - as idéias do início do século XX baseadas na percepção e as correntes contemporâneas centradas na significação - reside o instrumental para que o artista visual possa desenvolver seu trabalho criativo. Conteúdos audiovisuais são gerados e analisados através dos instrumentos disponíveis em cada época e momento. Lembremo-nos das primeiras imagens do 'novo ritmo' rock'n'roll na década de 50, ou a capa de Sargent Peppers - com inúmeras referências a personagens e celebridades da indústria cultural misturados com psicodelia - ou ainda Never Mind the Bollocks - que, como o movimento punk, inaugurou 'um novo fazer gráfico'. Os bons exemplos visuais são infinitos depois da revolução digital que presenciamos ao final dos anos 80 e início dos 90, os excessos também. Hoje as imagens, muito mais que ilustrações, apresentam significados que ampliam o diálogo com a música em uma diversidade de leituras simultâneas. As novas possibilidades de produção, com novos materiais, substratos e acabamentos, permitem não só a qualidade do produto gráfico mas sua transcendência como cultura. Os megashows, como as apresentações do Pink Floyd, The Rolling Stones e U2 com produções onde som, imagem e conteúdo misturam-se pela tecnologia e ambiência, propiciam um novo modo de acoplamento e estimulação social. Buscam o exato equilíbrio entre imagens gravadas, animações, grafismos e tipografia revitalizando os conceitos narrativos e cênicos em uma apresentação fragmentada e editada. Os novos meios alteraram nossa idéia de tempo e espaço, suas possibilidades de edição constróem novas realidades e caminhos que proporcionam ao espetáculo a criação de lugares sem fronteiras, ambientes imaginários altamente habitáveis. Os espetáculos tornaram-se eventos imersivos. A cena televisiva, antes construída em madeira, plástico, tecido pintado e muitos rolos de fita crepe, evoluiu com o chroma-key - recorte cromático em vídeo - e assumiu características de um sistema complexo e digital. Das efi cientes apresentações do The Doors e The Who no programa de Ed Sullivan na década de 60 à revolução dos videoclips nestes últimos 25 anos, muitas foram as transformações. A combinação de tecnologias integrou apresentadores e atores a ambientes gerados em computador, permitiu a diversidade de ângulos e enquadramentos e a livre movimentação das câmeras, uma economia de tempo, espaço e dinheiro. Virtualizada a cenografia ampliou seu potencial propiciando novos modos de criação, produção e fi nalização. A música tornou-se intencionalmente multimidiática: cada nuance sonora, cada acorde musical afirma-se nas imagens, sons e movimento. Representações traduzidas cotidianamente em experiências audiovisuais únicas e individuais. Consumimos música por todos os sentidos. Assim para criarmos as novas paisagens musicais, vivenciais por excelência, devemos provocar a fusão do pensamento moderno - racional e linear - ao pensamento futuro - emocional e dimensional - imprimindo na experiência do (tele)espectador uma nova dimensão à música. 1 Mestre pela ECA-USP e graduado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC-Campinas, é docente de Pós-Graduação em Design de Interfaces na Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas e de Comunicação Visual na Escola Panamericana de Arte e Design em São Paulo. Integrou a área de criação da Fischer,Justus Comunicação Total, projetou os ambientes para o 9º e 10º Festival Internacional de Arte Eletrônica VideoBrasil e coordenou o Departamento de Cenografia e Projetos Especiais da Sage Comunicação Dirigida. Desde 1997 dirije seu estúdio onde desenvolve projetos institucionais, corporativos e culturais em comunicação e design pesquisando o projeto da imagem e dos novos ambientes. São Paulo 2006 |