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Wagner Merije é especializado em Gestão de Conteúdo para o mercado wireless. Como profissional, realiza trabalhos nas áreas de Comunicação, Marketing e Produção Cultural. Ajudou a formatar o Departamento de Gestão de Conteúdo da Takenet S.A. (líder latino-americana no segmento), departamento este que coordenou entre 2003 e 2005. Atualmente é diretor da empresa SUPERCONTENT Gestão de Conteúdo e Consultoria em Info-Entretenimento.
Na velocidade dos avanços tecnológicos, o que era novidade - conteúdo para celular - virou "big business" no Brasil e no mundo, e a indústria da música recebeu uma boa injeção de receita. "Ainda" não podemos falar em "canal de distribuição", pois as músicas chegam aos consumidores "picadas, transformadas" em sons midi (ringtones) ou trechos dos mp3 (truetones) para que cumpram o papel de substituir os simplórios sons que os fabricantes disponibilizam nos aparelhos e ocupem os 30 segundos de tempo de uma chamada telefônica, antes que caia na caixa postal..., mas os números já impressionam no gigante Brasil: só em 2004 (apenas três anos após a primeira grande telefônica começar a atuar no país) foram vendidos mais de 80 milhões de ringtones. O ano de 2004, aliás, ficará marcado como o ano em que as "musiquinhas para celular" se popularizaram por aqui, graças à garotada entre 10 e 16 anos, em sua maioria.
Os desafios para o crescimento do mercado começam pela necessária renovação dos aparelhos dos consumidores para que possam tocar as músicas com mais fidelidade ao original. Do montante de ringtones vendidos em 2004, mais de 70% foram monofônicos, consumidos pela grande massa de pré-pagos no horizonte da telefonia celular no Brasil, que chega às 80 milhões de linhas móveis em 2005. Mas não param por aí. Se por um lado, o celular apresenta a vantagem de falar para cada consumidor, um a um, por outro lado torna-se muito importante "falar a língua" de cada tribo, de cada região, entender e identifi car os gostos e preferências para saber o que oferecer sem "encher" com ofertas equivocadas.
Com isso, possibilitaríamos a "personalização" dos aparelhos. Ainda tímidas, as campanhas de publicidade são necessárias para promover as maravilhas da tecnologia e dos novos produtos, mas precisam vir aliadas às campanhas "educacionais", no sentido de decodificar a "língua dos celulares" para o grande público, que ainda se embaralha com o significado de "download", "sms", "truetone", entre tantas novidades. No desenvolvimento do mercado, fala-se em destinar parte da arrecadação como verba de mídia. Baratear os preços dos downloads para o consumidor vai dar novo impulso.
E aí os parceiros terão que sentar para conversar e encontrar um modelo de remuneração que seja bom para artistas, editoras, gravadoras, integradoras e teles. Entre 2003 e 2005, várias empresas de portes distintos se lançaram em busca de seu quinhão no novo mercado: provedores de internet, rádios, revistas, canais de TV, entre outras, abriram suas lojas de conteúdo para celulares na web. Depois de muito esforço na construção de sites com a engenharia requerida, os resultados alcançados ficaram muito abaixo do esperado: as vendas pela web não conseguiram passar da casa dos 5% (cinco por cento). O melhor ponto de venda é o próprio celular.
Portais próprios ainda são um desafi o para qualquer empresa, fora as operadoras. Para gerar dinheiro suficiente para manutenção do serviço é necessário um esforço grande para atrair o consumidor para os endereços eletrônicos (e o consumidor tem que ter computador e internet funcional). Por enquanto, o mercado está para os artistas da mídia ou para os "fenômenos".
No topo da lista dos que mais receberam pelas vendas de músicas através de ringtones nos últimos anos figuram nomes como Skank, Ivete Sangalo, Charlie Brown Jr, Jota Quest, Bruno e Marrone, Guns 'N' Roses, Black Eyed Peas, fora os hinos de times de futebol e os temas de seriados como "Missão Impossível", "Os Simpsons", entre outros. Identificar nichos e ofertar produtos diferenciados é um caminho a seguir, tanto no Brasil quanto no exterior.
Por outro lado, a parada de tones e os prêmios para os maiores vendedores e também para os iniciantes (dentro das campanhas para atrair clientes novos para as operadoras) já são conquistas estimulantes , pois movimentam o setor musical.
Para se ter sucesso neste negócio, que expandirá para todos os lados nos próximos anos, tornase imprescindível ainda saber sobre o funcionamento e as limitações dos aparelhos para poder adaptar e produzir conteúdos; entender a engenharia do armazenamento e entrega dos produtos; compreender o funcionamento das companhias telefônicas e melhorar as relações com os consumidores, ofertando produtos e serviços de qualidade e apelo. Os desafios estão lançados. Agilidade e criatividade fazem diferença! |